My Way - Mars - Gun's... Canções que tocam a minha ALMA (seleção csl)

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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Determinação, Leveza, Bom Gosto

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                (csl) Então, porque as pessoas complicam tanto a vida, tudo é tão fácil de ser resolvido, basta ter serenidade, paciência e ser persistente, mas não deve-se acreditar que tudo vai dar certo, que se não deu ainda é porque não terminou, este papinho não cola não. Então vamos ter calma, para tomar a melhor decisão, tomar um bom vinho, fumar um charuto de boa qualidade, apreciar e sentir o cheiro das flores. (csl)







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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Menino do Pijama Listrado

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.                                    (csl) Ontem assisti este filme (O Menino do Pijama Listrado). A história passa em 1942 na 2a. Guerra Mundial.

                                             Recomendo. Oportunamente comentarei e abaixo a sinopse e uma crítica de um site que considerei apropriada, quando digo crítica, sabem não! Não é no sentido de criticar necessariamente e sim, do ponto de vista de um crítico sobre cinema. Também tenho o meu ponto de vista, que as vezes exponho, as vezes não, agora esta muito corrido aqui no meu trabalho, na minha nova vida de casado, sem tempo para algumas coisas, embora eu tenho para comigo que sempre encontramos tempo para as coisas que realmente consideramos/julgamos importantes, pois bem o blog é importante para mim, por isso sempre passo por aqui e acabo atualizando, talvez não da forma efetiva como eu gostaria, mas vou tentando. (csl)


Sinopse (Livraria Cultura):

Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz ideia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. 'O menino do pijama listrado' é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

Crítica (Cineplayers):


Retratando os horrores dos campos de concentração nazistas, filme retira cada um de seus clichês do sem número de filmes que já trataram do assunto.

Holocausto, segundo o dicionário Houaiss, é palavra utilizada pela primeira vez no século XIV e diz respeito a um sacrifício hebreu que consistia em queimar-se inteiramente a vítima. Por sua vez a história contemporânea tratou de resignificá-la ao nomear a barbárie do extermínio judeu empreendido pelo fascismo hitlerista, fazendo alusão aos modos utilizados nesse assassinato em massa. E apesar de não ser este o espaço apropriado pra aprofundar a discussão sobre essas escolhas, a dúvida que fica, transcorridos mais de 60 anos desde o episódio, é pensar porque o cinema insiste em esgarçar a possibilidade de olhares sobre o tema já que mesmo com tal diversidade de pontos de vista o holocausto corre o risco não de ser analisado, mas de banalizar-se pelo excesso.

O enfoque maior de O Menino do Pijama Listrado talvez não seja necessariamente o episódio que narra, mas o tema maior da intolerância étnica que tem voltado a ser tornar um problema tão sério que já não pode deixar de ser discutido. No entanto a maneira como se constrói a narrativa e os elementos utilizados para encadeá-la, esvaziam sua intenção e deixam o produto final com cara de mais do mesmo.

Mas falemos do filme antes de prosseguir: Bruno (Asa Butterfield) é um garoto de oito anos que vive sua vida feliz ao lado da família, até que o pai (David Thewlis), que é oficial do reich alemão, é transferido pra uma tarefa no interior e leva a família toda. Deslocado, Bruno precisa se relacionar com o novo e, para o bem ou para o mal, o novo é um campo de extermínio nos fundos da sua nova casa-prisão. Curioso, o menino se aproxima cada vez mais daquela suposta fazenda em que todos vestem pijamas. E lá ele começa a aprender sobre os jogos políticos que envolvem as sociedades e desconstrói o mito do judeu como bode expiatório de vários defeitos intrínsecos aos seres humanos quando conhece Shmuel (Jack Scanlon), que na metáfora mais óbvia, é um duplo de Bruno, menino da mesma idade que vive do outro lado da cerca que demarca o problema. Ali eles estabelecem essa relação como reflexo num espelho quebrado, em que de um lado existe o arquétipo pronto da vida no quadrante correto, e no outro a expressão de todos os problemas desse quadrante expostos em cada detalhe: no dente cariado, no cabelo raspado, em tudo o tal menino do pijama listrado é o mesmo que Bruno, só que do lado errado da cerca.

Apelando para o estreitamento desse laço de amizade, a ação carrega Bruno até o último limite da sua curiosidade: estar dentro da cerca com Shmuel. O final dele é previsível e existe uma espécie de letreiro de neon piscando desde o começo do filme, nos preparando e dizendo que esse final não é bom, tanto pra Bruno como para Shmuel, e a cena dos garotos se dando as mãos e finalmente apagando as supostas diferenças que os separam faz dos dois uma coisa só, sem com isso problematizar a questão. A docilidade do menininho judeu que perdoa uma traição grosseira do seu amiguinho alemão é outra falha nesse processo e tira a chance que o filme teria de dar mais nuances a essa relação.

Enfim, há uma mensagem interessante que fica esmagada sob as botas grosseiras que Shmuel usa como parte do uniforme. E não fica claro se essa mensagem fica obscurecida pelo uso de um exemplo cinematograficamente já tão usado como ponto para outras discussões ou se houve uma preguiça em problematizar melhor essa história que o escritor John Boyne construiu como um romance e que David Heyman, o produtor responsável também pela franquia Harry Potter, resolveu levar para o cinema.

As intenções sobre uma produção como essa no geral nunca ficam muito claras, mas se estamos aqui para falar da sensibilidade que o filme aponta o que sobra é um melodrama previsível. Pena para Bruno e Shmuel que são sacrificados em nome de um discurso que não conseguem fazer entender, assim como o próprio episódio que escolheram para dar luz a essa questão.
                             
Por: Geo Euzebio  12/12/2008


Fonte: http://www.cineplayers.com/critica.php?id=1492

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Passivo a Descoberto, Maquiagem Contábil - MARGIN CALL

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.                                    (csl) Passivo a Descoberto, traduzindo ter um passivo maior que o seu ativo, resumindo se a equacao for esta nao podera honrar os seus compromissos. Maquiagem Contábil, praticamente contar algo no balanco que não é uma verdade, a exemplo de dizer que tem mais a receber do que efetivamente tem, logo gerando para o mercado uma suposicao que a empresa esta bem, quando na realidade estes valores a receber nao existem pois sao maquiados por contabilizacoes falsas.

                                             Farra contábil, falta de escrupulos dos gestores e ganância, assim se resume o filme que assisti este final de semana, o que como Contador, ou seja, a minha profissao é perfeitamente compreensível tudo o que lá aconteceu,  não é possível nao fazer mencao ao case apresentado estar relacionado a um dos maiores bancos Lehman Brothers, forte que nem um castelo de areia.

                                              Banco Nacional, Santos, Panamericano, Bamerindus, Banestado entre outros, nao necessariamente tem a unidade como banco de investimentos, mas o modus operandi foi identico.

                                               A história se repete, fatos identicos, apenas personagens diferentes, o pior cego é aquele que não quer ver. Ser contador é maravilhoso, pois em terra de cego, quem tenho olho é REI.

                                            Abaixo uma crítica de um crítico que eu gosto de ler, senão vejamos: (csl)

Derivativos. Sub-prime. Empréstimos hipotecários. Bolha imobiliária. Lehman & Brothers. Bank of America. Merrill Lynch. Até agosto e setembro de 2008, para quem não atuasse diretamente no mercado financeiro, essas palavras não significavam absolutamente nada. A partir dessa data, elas passaram a ser termos corriqueiros no dia a dia das pessoas. Só se falava nisso, dos telejornais até as conversas de bar. A quebradeira de grandes e tradicionais bancos de investimento americanos pegou o mundo de surpresa. Quando o Governo Bush foi olhar o estrago já era tarde e a economia americana, antes toda poderosa, estava a um passo da insolvência. Os EUA reviviam o crash da bolsa de 1929. De uma hora para outra, o dinheiro secou e o receio de uma inadimplência geral se alastrou rapidamente pelas demais economias. O Planeta Terra estava definitivamente menor.

Com a história passando diante dos nossos olhos, era natural que Hollywood abordasse o assunto mais cedo ou mais tarde. De 2008 para cá, no entanto, a produção americana a este respeito se limitou aos documentários Capitalismo: Uma História de Amor (Capitalism: A Love Story, 2009), de Michael Moore, e Trabalho Interno (Inside Job, 2010), de Charles Fergunson, este último vencedor do Oscar na categoria. Margin Call - O Dia Antes do Fim (Margin Call, 2011) é a primeira tentativa de enfrentar o tema pelo caminho da ficção. A empreitada ficou ao encargo do jovem J. C. Chandor. Com um roteiro também de sua autoria, resultado das experiências que viu e ouviu de seu pai, corretor de bolsa por vários anos, e à frente de um elenco incrivelmente talentoso, Margin Call se torna uma das melhores surpresas de 2011.

Ano: 2008. Cidade: Nova York. Endereço: Wall Street. Incrustrado no centro nervoso das negociações financeiras de uma das maiores megalópoles do mundo, somos levados ao interior de uma firma de investimentos. Não sabemos o nome da companhia, mas dá para perceber que o clima no ar é tenso. De uma hora para a outra, os corredores da empresa são invadidos por temíveis executivos, de saias e paletós. Carregam consigo laptops, pastas, relatórios e... más notícias. Nas próximas horas, eles terão que comunicar a demissão de 80% dos funcionários do local. São tantas as pessoas a serem contatadas, que o trabalho tem que ser rápido, objetivo, parecido com o que o personagem de George Clooney fazia em Amor Sem Escalas (Up in the Air, 2009), só que pior. Dentre os escolhidos, está Eric Dale (Stanley Tucci), gerente de avaliação de risco. Apesar de integrar os quadros da corporação há vários, seu desligamento é impiedoso. A partir daquele instante, a senha de acesso ao seu computador está bloqueada. E seu celular, desativado. A única coisa que lhe resta é retirar os objetos pessoais da sua mesa e sair do prédio, ainda assim escoltado por um segurança. Antes de sair, porém, Eric entrega um pen-drive a um de seus subordinados, Peter Sullivan (Zachary Quinto), que contém determinadas anotações nas quais ele vinha trabalhando. Eric pede que Sullivan dê uma olhada naquilo sem antes recomendar: “tome cuidado”.

Naquele mesma noite, enquanto os que se salvaram da degola vão encher a cara na balada, Sullivan aprofunda os cálculos de Eric e chega a uma terrível conclusão: a empresa estava atuando além dos limites de risco aceitáveis para determinadas operações hipotecárias, o que criava uma potencial passivo contábil maior que o seu próprio capital social. Em termos práticos, a persistir aquele cenário e considerando uma possível inadimplência dos seus clientes, a companhia não teria capacidade financeira para honrar com seus compromissos. Daí para a falência seria um passo.

O alerta geral é dado e, rapidamente, os altos escalões da firma são acionados. Em um primeiro momento, Sullivan chama Seth, seu colega mais próximo (Penn Bagdley) e seu chefe imediato, Will Emerson (Paul Bettany). Emerson percebe que a coisa é séria e chama Sam Rogers (Kevin Spacey), que, por sua vez, aciona seu superior Jared Cohen (Simon Baker) e sua assessora Sarah Robertson (Demi Moore). Quando a cúpula percebe a coisa saiu do controle, a solução é chamar o big-boss John Tuld (Jeremy Irons). Durante o espaço de uma madrugada, aquelas cabeças terão que encontrar uma solução para o problema, nem que para isso tenham que sacrificar a empresa, seus funcionários, e o mercado financeiro como um todo.

Margin Call é construído sob a forma de um thriller. A tensão é constante, quase palpável. Nenhum tiro é disparado, não há perseguições de carro, explosões, mortes, muito menos sangue jorrando pela tela. Mesmo assim e, mais que isso, mesmo sabendo o desfecho deste imbróglio na vida real, o público permanece em estado de alerta a cada nova reunião de diretoria, tão nervoso quanto os personagens, curioso e ao mesmo tempo temeroso em saber como aquela enrascada será resolvida.

Não é fácil conseguir esse efeito e os méritos devem ser atribuídos ao roteiro de Chandor. De um lado, ele demonstra ter bom ouvido para os diálogos, todos eles milimetricamente afiados, daqueles em que nenhuma palavra parece ter sido escolhida à toa (repare no duelo verbal travado entre os personagens de Jeremy Irons e Kevin Spacey). De outro, é honesto o suficiente para revelar que o mercado financeiro é um assunto tão complexo que nem mesmo os profissionais do ramo o dominam (Sam, por exemplo, não entende patavina dos gráficos expostos nas telas dos computadores, e Jeremy Irons confessa que o fato de ocupar o cargo mais alto da companhia não tem nada a ver com o seu conhecimento técnico do tema). Tanto é assim que o roteiro faz um humor sobre o fato de Sullivan, a pessoa que descobriu o problema, ser cientista espacial de formação. Chandor mostra também que entende do universo que está falando e revela as agruras e mazelas por trás da profissão.

Por maior que seja o glamour que ela carrega, ao se olhar mais de perto, veremos homens ansiosos (Emerson não consegue parar de mascar o chiclete com nicotina), obcecados por dinheiro (Seth não resiste em perguntar o salário dos seus chefes), fracos (o mesmo Seth chorando no banheiro), e solitários (na hora do aperto Sam recorre à sua ex-esposa). Por fim, Chandor explora bem os elementos visuais, como o clima claustrofóbico das dependências da empresa; a escuridão desesperançosa da madrugada; e a possível redenção que vem com o amanhecer.

Essas características marcantes fazem com que, no formato, Margin Call se distancie de filmes com temática parecida como, por exemplo, Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps, 2010) e se assemelhe muito mais a O Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross, 1992), cultuado filme de David Mamet do início dos anos 1990, que também reunia num ambiente fechado diversos corretores de imóveis que tinham por missão fechar um grande negócio. A comparação entre eles mostra que o trato com o dinheiro, seja ele virtual ou de papel, e o respeito pela ética e pelo ser humano não mudou muito nos quase vinte anos que separam ambos os filmes (a única demonstração de afeto em Margin Call é por um cachorro). Tanto faz se na arena estão se digladiando corretores de imóveis ou do mercado financeiro. O que importa é a grana e o último que sair que apague a luz.

Em certo sentido, o roteiro de Margin Call podia render uma boa peça de teatro (não por coincidência, o filme de Mamet era baseado em uma peça de sua autoria). A maioria das cenas são compostas por diálogos entre duas ou três pessoas (as vezes até mais), o que permite uma interação entre eles como se estivessem em um palco. Isso abre espaço para alguns belos monólogos, que servem para que determinados personagens expressem o seu ponto de vista sobre as suas profissões e o mercado financeiro como um todo. Um deles é pertence a Wiil Emerson, ao volante do seu carro topo de linha, quando ele defende o papel dos corretores da bolsa na roda gigante da economia. Mais à frente, Eric Dale ao mesmo Emerson, ambos sentados na calçada, em tom saudosista, que era engenheiro de formação. E, por fim, John Tuld, saboreando um suculento filé mignon, contextualiza historicamente a crise de 2008 e conclui que ela não deixa ser uma turbulência que, como as anteriores, será absorvida pelo mercado e pela passagem do tempo (talvez mais por este do que por aquele).

A opção de filmar o roteiro na forma de thriller e de concentrar a maior parte da trama na véspera do “Dia D” para as bolsas a redor do mundo são todas acertadas, mas dificilmente Margin Call funcionaria sem o seu elenco. O destaque, claro, vai para Kevin Spacey, inegavelmente um grande ator, mas que costuma ser preguiçoso quando o projeto não lhe motiva o suficiente. Aqui ele parece estar de voltar aos cascos, e constrói um personagem mais velho, de aparência cansada, cujo cabelo já começa mostrar algumas manchas brancas, e que alterna momentos de extrema frieza (nos dois discursos que é obrigado a fazer para seus subordinados) e ternura (quando chora a doença da sua cachorra). Jeremy Irons, um ator que nunca foi dos meus preferidos, também rouba a cena na pele do executivo-até-o-último-fio-de-cabelo Tuld. Sua entrada no filme, de helicóptero, às 4:00 da manhã, é triunfal. E a cena em que ele pede que o jovem Sullivan explique os detalhes da crise como se estivesse falando uma criança é brilhante. Completam o time Simon Baker, muito bem como o jovem executivo narcisista, Paul Bettany, sempre subestimado, Stanley Tucci, que acerta no estilo low-key de atuação, e o jovem Zachary Quinto, que combina bem os sentimentos de deslumbramento e medo que tem pela própria profissão.

“Seja o primeiro. Seja o mais inteligente. Ou  trapaceie”, diz John Tuld aos seus funcionários, no auge da crise. Infeliz de uma geração que pode ser resumida por esses três avisos. Por isso mesmo, Margin Call é um filme oportuno, que deve ser visto e compreendido como um recado para uma sociedade que se julga sem limites, acima do bem e do mal, e que vê no dinheiro um fim em si mesmo. Ainda dá tempo de mudar.


Por Régis Trigo, em 10/12/2011
Fonte: http://www.cineplayers.com/critica.php?id=2310

A Viagem do Peregrino da Alvorada - As Cronicas de Narnia

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                            (csl)  Quando penso em Nárnia, penso em Matrix, algo assim como me transportar para um conto de fadas (Alice no País das Maravilhas), ou um mundo paralelo de ficção, a exemplo de Avatar.

                                   Na 7a. Arte, embora estejamos falando em Arte, o que conta é $$$$, ou seja, a franquia deve apresentar resultado satisfatório, e o que é um resultado satisfatório?

                                    Não basta indicação para o Oscar, elogios do figurino, do protagonista, que a fotografia do filme é excepcional, que os efeitos são isto ou aquilo, enfim resultado satisfatório e se o que eu investi teve o retorno esperado.

                                     A Disney abandonou a franquia Cronicas de Narnia, verdade é que O Leão, a Feiticeira e o Guardaroupa renderam pelo mundo (US$) 800 milhoes de Dolares, já o segundo filme O Principe Caspian, rendeu(US$) 400 milhões de dolares, observando que o primeiro filme custou (US$) 50 milhoes de dolares menos que o primeiro, entao faz algum sentido tal abandono, ou não?! Como diz Caetano (Ah! Descobri que está máxima (jargão) não é do Caetano, ele mesmo falou de quem é, mas quer saber combina mais com ele, a outra pessoa eu não conheço), e por fim tudo que é da Bahia eu amo.

                                     Continuando... Este final de semana assisti também A Viagem do Peregrino da Alvorada, filme lúdico, muito interessante, magia pura.

                                      Como disse, me lembra Matrix, deste lado a realidade , passando pelo guardaroupa, interagindo com o quadro na parede entao surge outro mundo, vou para lá viver uma história e depois volto, literalmente extasiado, pois a aventura é densa, é nervosa e sempre com um maravilhoso fim.

                                        Fiz menção sobre EUSTÁQUIO, observem bem o personagem dele, veja o que ele tem a ver com o Michael de Meia Noite em Paris, assim como o vilão do filme Os Incríveis, que já teci comentários no meu blog (basta pesquisar).

                                        A história precisa de algo que remexa, que incomode, que faça com que as pessoas saiam da zona de conforto, desta forma EUSTÁQUIO era necessário na Trama e foi extremamente útil, assim como Michael, neste caso para percebermos que menos é mais, em muitas situações, como já fiz comentário dele no posto sobre o filme de Paris, assim como o vilão de Os Incriveis, onde o fato de nao darem espaco para a crianca boa, quem sofre bullyng, porque é gordinho ou desengonçado, acaba querendo ser visto, e se para ser visto, ser notado ele tem que ser o vilão, que seja.

         

                                        Indico o filme, sem mais comentários, abaixo a crítica segundo o que retirei de um site, senão vejamos: (csl)


As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada | Crítica

Terceiro filme da série oferece boa aventura episódica, mas as lições de moral continuam o ponto fraco


Para o leão Aslan, que não esperou o terceiro dia para ressuscitar mas tem autoridade sobre questões de metáfora cristã, o catecismo dos irmãos Pevensie está completo. O que é uma pena, porque a série de filmes As Crônicas de Nárnia, inspirada nos livros de C.S. Lewis, estava começando a engrenar.

Obviamente, como são sete livros e em Hollywood todo eventual sucesso é imediato candidato a ter continuações, o terceiro filme, As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada (The Voyage of the Dawn Treader), não será necessariamente o último. Mas Pedro e Susana, crismados ao final de Príncipe Caspian, não voltam para esta continuação. Edmundo (Skandar Keynes) e Lúcia (Georgie Henley) reassumem o trono dos Pevensie em Nárnia mas também já não são mais crianças.

Ser criança no universo de Lewis é imprescindível - independente da leitura que se faça do seu texto, religiosa ou não - e é isso que torna a série no cinema, em seus melhores momentos até agora, tão fácil de assistir. Não há um senso de jornada, as aventuras são episódicas. Ao chegar em Nárnia, os Pevensie reabrem seu baú de "brinquedos" (espadas, arcos, vestes), reassumem "personagens" (seus postos de realeza) e o encantamento com as criaturas antropomórficas é sempre renovado (desta vez é o primo chato dos irmãos que desacredita os monstros).
É como levar os filhos para a praia, tirá-los do aborrecimento da cidade e construir castelos na areia. Nos filmes, a casa na Inglaterra não é exatamente tediosa, existe a Segunda Guerra Mundial do lado de fora, mas ela só serve de estopim para o arco do protagonista (desta vez é Edmundo, cada vez mais um sósia do Kaká, que briga para não ser tratado como criança). Nisso, todos os filmes da série são parecidos. A vantagem de A Viagem do Peregrino da Alvorada é que o espaço para a aventura episódica é bem maior.
Parte-se, afinal, de uma premissa à moda Julio Verne e Robert Louis Stevenson: existe um mar a ser desbravado e cada ilha reserva surpresas diferentes. O filme então comporta pequenos momentos climáticos do começo ao fim; a irritação com a direção burocrata de Michael Apted se dilui diante dessa diversidade. Existe a ameaça maior e sempre presente da Feiticeira Branca, mas ela não é nenhum Voldemorte. A fumacinha verde que a vilã produz até tem seu charme quando vista com uma cópia 3-D convertida do filme, como foi meu caso.

O único problema é que sempre esse descompromissado faz-de-conta tem que vir acompanhado das lições de moral. De certo modo, é incontornável: qualquer aventura de ilha perdida exige que o herói, num ambiente despojado de alternativas, vença seus próprios limites. Mas a forma como os filmes da série apresentam dilemas é muito amadora, às vezes arbitrária. É como se Lewis e seus adaptadores tivessem a ambição de transformar o material leve que têm à disposição em uma reflexão profunda, valorosa, grave e adulta. Não precisamos de outro Harry Potter, precisamos?

Classificando os três Nárnias, então, num critério de lições/diversão, A Viagem do Peregrino da Alvorada fica com a medalha de prata. Não tem a unidade do segundo, cujo equilíbrio entre os dois pólos é o mais próximo do ideal, mas também não castiga o espectador como o primeiro, que é uma verdadeira palmatória em forma de filme.





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Meia Noite em Paris

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                                (csl) Eu já gostava de Paris, sem conhecê-la, por ouvir falar, por ler, ver imagens, pela imponente e charmosa Torre Eiffel, pelos cafés, em razao dos perfumes que eu amo, sempre amei, sou louco por perfumes. Enfim assistir um filme que apresenta lugares pelos quais acabei de conhecer, em especial ao lado de quem eu amo, me fez ter a certeza que esta cidade é a cidade referência para mim, ou seja, ela é assim como eu esperava, como dizem ela representa algo, já representou para muitas pessoas e pelo jeito sempre representará.

                                       Lógico, não que não exista outros lugares tão lindos e mágicos como Paris, até porque eu não conheço praticamente nada, mas creio que Paris é uma cidade com uma magia indescritível, pois me senti enfeitiçado positivamente quando estive lá.


                                      Este final de semana assisi Meia Noite em Paris. Adorável filme onde o protagonista (Owen Wilson) contracena com a sua bela noiva (Rachel McAdams), que mais dá atençao ao seu amigo (Michael Sheen ), do que a ele que é todo carinhoso com ela e focado com o livro que pretende escrever (seu primeiro romance). Segundo a crítica Michael é um "pseudo intelectual" o que eu assino embaixo, boa descrição para o cidadão, pois não me agrada pessoas que fazem recortes, de sopa de letrinhas querem construir um imagem falsa intelectual, que é efetivamente o que ele demonstra. O Saber não precisa ser exposto voluntariamente, somente quando provocado, do contrário dará um ar de empáfia, ou seja, totalmente desnecessário.

                                        Michael me lembrou EUSTÁQUIO, de outro filme que assisti este final de semana, não no sentido da intelectualidade, mas no sentido de que ele é/foi necessário na trama para ela poder ser desenvolvida, e no caso do EUSTÁQUIO ele foi fundamental (comentários sobre o filme A Viagem do Peregrino da Alvorada   em outro post).

                                Mas é possível perceber que ela gosta dele, mas do jeito dela, sim porque, o grande problema das pessoas é achar que as pessoas tem que gostar de nós do jeito que nós gostamos delas, e as coisas não funcionam assim.

                                 O filme é retratado em dois momentos o atual vivido e o da época mágica onde ele se encontra com pessoas importantes, como o pintor Salvador Dali (saiba mais sobre ele aqui) entre outras pesssoas.

                                 A magia do filme ficou encarregada pela não menos doce e meiga atriz Marion Cotillard, a qual conduziu com leveza todo o "drama". Digo drama porque o protagonista ficou inclinado ao romance ali vivido, contrapondo com a sua situacao na vida real.

                                 Abaixo mais imagens deste maravilhoso filme, o qual indico e vou assistir novamente, bem como a crítica publicada em um site que eu costumo visitar. (csl)


por Vinicius Carlos Vieira em 19 de Junho de 2011

Woody Allen é um cara apaixonado. Por seus filmes, por suas mulheres, pelas cidades em que passa e, mais que tudo, pelo cinema, só isso explica o quanto Meia Noite em Paris é deliciosamente apaixonante.

E talvez seja essa mesma paixão que mova o cineasta novaiorquino a começar seu novo filme deslumbrado pelas belezas da capital francesa, trocando o fundo preto e os créditos iniciais por um verdadeiro tour pela Cidade Luz, como se tivesse a necessidade se redimir da injustiça de não conseguir mostrar tudo aquilo durante seu filme. Ou simplesmente para convidar seu espectador a se apaixonar por aquela cidade como ele parece ter se apaixonado e, consequentemente, seu protagonista.

A bola da vez agora de interpretar a “persona” de Allen é responsabilidade de Owen Wilson, que vive Gil, um roteirista de Hollywood que vai à Paris com a noiva e os sogros e acaba descobrindo uma nova cidade depois das badaladas do início da madrugada. Na verdade, é esse casal que prefere apresentar durante os créditos inicial invés de seu jazz tradicional. Ele romântico, tentando escapar do marasmo artístico dos roteiros descartáveis e escrever seu primeiro romance, inspirado por tudo que Paris representa (e representou), enquanto ela, vivida por Rachel McAdams, prefere não enxergar nada disso, sem conseguir entender qual a obsessão do marido por aquelas cidade (e chuva).

Meia Noite em Paris é então uma história de amor, entre Gil, Allen (e o espectador) e Paris, talvez no sentido figurado, o mais provavelmente não, já que o diretor não se esconde por trás de nenhum simbolismo ou metáfora para levar seu personagem em uma viagem no tempo de volta à Idade de Ouro dessa cidade, durante a década de 20, cheia de escritores, artistas e personalidade que, não sem exagero, deram o ponta-pé inicial para muito do que hoje existe em termos de arte.

Allen então convida seu espectador a participar dessa deliciosa viagem pela boemia da Cidade Luz na companhia dessa grande salada de personagens mais famosos e verdadeiras homenagens que dão uma vida enorme a seu filme e parecem dar as caras como um enorme playground de referências. É impossível não saborear cada linha de diálogo entre Gil e um Ernest Hemingway (Carey Stoll, que na TV é um dos protagonistas da série Lei e Ordem LA) com cara de bêbado suicida, pessimista, galanteador, tétrico e obcecado por sua espingarda de caça.

E Meia Noite em Paris não se esconde porá trás de um lado “pseudo-intelectual”, que nesse caso é irritantemente representado pelo personagem de Michael Sheen (sempre ótimo), amigo de faculdade da noiva de Gil e aparentemente capaz de ser expert em todo e qualquer assunto que exista no mundo. Na realidade Sheen é talvez a mola central dessa artimanha de Allen para criar mais ainda esse protagonista simpático, já que todos a sua volta, aos poucos, se tornam insuportáveis, vazios e céticos, incapazes de viver essas experiências (e se deixarem vivê-las).

É lógico que Allen faz disso um instrumento, uma arma até, contra todos que ainda dão mais valor a uma enciclopédia do que a vontade de viver essas novas experiências. Mais ainda, reafirmando esse “tour mundial” que vem fazendo, saindo de seu habitat em Manhattan, para que seu cinema experimente novos ares, da misteriosa Londres em “Match-Point”, da “caliente” Espanha em “Vicky Christina Barcelona” e agora de toda poesia de Paris.

Assim como seu protagonista (ou o contrário) Allen parece à procura de viver essas experiências e não falar sobre elas como se tivesse lido em um livro, e isso é imprescindível para que “Meia Noite em Paris” seja essa experiência tão apaixonante, já que é fácil se sentir como um companheiro de viagem do diretor nessa viagem.

Mas Allen não se perde nessa paixão, Meia Noite em Paris ainda é, sobretudo, um “filme de Woody Allen”, com um protagonista frágil, pragmáticos, preso em um mundo que parece não aceitá-lo, mas sem medo de deixar suas opiniões ácidas vazarem por esses grandes planos de diálogos. Assim como permite que ele viva essa história de amor fora de época com uma espécie de “musa inspiradora” (a linda Marion Cotillard) de um trio de pintores (Modigliani, Braque e Picasso) com os quais foi amante.



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Por outro lado, essa “viagem no tempo” dá ainda a chance de Allen zombar da cadeira de vinte mil dólares no presente, ao mesmo tempo em que se permite ver um quadro de Matisse sendo vendido por quinhentos francos, esse tipo único de ironia que sempre se perpetua pela filmografia do diretor e acaba sendo uma verdadeira válvula de escape para que ele possa remexer em mais um monte de assuntos pertinentes. Ou você não percebeu que a família da noiva vai, em plena Paris, ver uma comédia descartável de Hollywood, cujos nomes dos atores nem ao menos são lembrados. E talvez seja isso que Allen mais tenta em sua carreira: mostrar que nem tudo precisa ser descartável para fazer sucesso e ser popular.

Infelizmente, uma discussão que Allen talvez perda, já que na maioria das vezes seus filmes ainda acabem caminhando apenas na borda desse sucesso, o que talvez o faça se sentir como seu personagem na divertida conversa com o trio formado por Man Ray, Salvador Dali (um Adrian Brody incrivelmente interessante, como todo resto do elenco) e Luis Buñuel (que depois, em outro momento, ainda ganha “de brinde” o ponto de partida para seu Anjo Exterminador, mesmo sem entender “por que eles não conseguem sair daquele lugar!”), onde a verdade acaba se perdendo de modo surrealista entre significados existências e rinocerontes. Como se mesmo tentando mostrar o que fazer, sempre alguém acabe “lendo demais” algo que é só feito para ser sentido.

É então que se percebe que Meia Noite em Paris não quer ser simbólico, metafórico, surrealista ou cheio de leituras (como eu já citei), mas sim só contar essa história, juntar esses personagens nessa história de amor e, no final das contas, ter a certeza de que o presente sempre parece insuficiente para quem não tem limites para sonhar e às vezes perceber que a única coisa necessária é esse momento de chuva sobre Paris que (realmente) acaba deixando-a muito mais bonita. E essa impressão, só consegue ser passada realmente por um gênio como Woody Allen que, decididamente, é um cara apaixonado, mais que qualquer coisa, pelo cinema.

Fonte: http://www.cinemaqui.com.br/criticas-de-filmes/meia-noite-em-paris

domingo, 16 de outubro de 2011

Critica, pode fazer. Mas tem que saber fazer...

Princípe Caspian - As Cronicas de Narnia

Bela Crítica.





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Toda continuação tem seus limites. Ainda mais quando se trata de uma adaptação literária. Salvo por este pressuposto, As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian pode respirar mais aliviado. Contudo, saber explorar o próprio território a fim de verificar-se até onde vai a cerca é um critério necessário para alcançar o apogeu. Neste ponto, o longa deveu. O que torna a premissa inicial verdadeira, porém não válida.

As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian
por Arthur Melo

Baseado numa história menos cativante do que o episódio que iniciou a série nos cinemas, a segunda aventura dos irmãos Pevensie na terra de Nárnia dispensa explicações e apresentações longas, além de manter o argumento religioso mais evidente sem atrapalhar a estrutura central. Um amadurecimento lógico e descontínuo que cria uma certa distância entre os dois filmes que ora colabora ora se torna perturbador; um desequilíbrio que coloca em dúvida em alguns momentos se estamos mesmo diante de um produto relacionado ao Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa.

O que transforma Príncipe Caspian num ponto de interrogação são as suas oscilações. Ao invés de elevar-se a um patamar superior, o diretor – e um dos roteiristas – Andrew Adamson parece relutante em progredir, mesmo que demonstre alguns indícios de amadurecimento. Indícios estes que podem ser observados desde o trabalho realizado na elaboração dos personagens até as pinceladas atribuídas pela direção: Os quatro irmãos Pevensie cresceram. Estão mais rápidos, inteligentes, tomam decisões audaciosas em conjunto e, ainda juntos, transformam as próprias palavras de ordem em ações. Um avanço no psicológico que é mostrado sem ter de se aprofundar demais, o que ocasionaria em maior investimento de tempo de projeção.

Aliás, a duração do filme se mostrou uma inimiga mais cruel do que os Telmarinos. Não que duas horas e vinte seja uma soma exorbitante, mas os minutos mal aproveitados resultam numa extensão irrelevante de passagens que já contribuíam pouco ao contexto. Um percurso que poderia, e aliás deveria, ter sido investido no personagem do título. Caspian, que tem seu caráter apenas sugerido pela trama, é uma adição relevante mais como personagem do que Ben Barnes é como membro do elenco – apesar de não comprometer a produção. Sua postura no filme desvia um pouco o foco outrora sempre em cima dos quatro irmãos. O que não retira a evidência favorável do sotaque hispânico de Barnes ser menos explícito ao compararmos com os Telmarinos; uma força para aproximar o personagem aos irmãos – insistentes como protagonistas.
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Proximidade crucial. A rivalidade entre Caspian e o então rebelde Pedro – uma disputa para “marcar território” – se desenrola num nível interessante, atingindo o apogeu em momentos estratégicos e bem dispostos no enredo. Um reflexo da semelhança de personalidade de ambos muito bem colocada que influencia o próprio príncipe a rever o seu lugar nos fatos, exibindo então a matéria-prima de seu real (ênfase) caráter – ao passo que magnifica a típica intolerância da idade de Pedro; falha, por não apresentar um momento de transição deste, desvirtuando um pouco da imagem exibida no longa anterior. Já Edmundo, sem dúvida, é o personagem que mais ascendeu no quesito qualidade. Sua figura é mais esperta, divertida e espontânea entre os Pevensie, um mérito também do ator.

Adamson mudou seu olhar sobre o estilo narniano. Bem como reviu seus conceitos na hora de construir os vilões. A exposição visual da Feiticeira Branca deu lugar ao esteriótipo latino. O caráter hispânico dos Telmarinos é um detalhe interessante. Cria uma maior realidade, mas foge um pouco da verossimilhança que o filme estabelece. Sem necessitar desmerecer a qualidade artística do elenco, ficou um vazio que Tilda Swinton fez questão de preencher e transbordar em sua malevolência nos primórdios dos encantos de Nárnia no cinema. Aliás, sua mínima presença foi o suficiente para resgatar um pouco do que tínhamos de melhor anteriormente.

O clímax da produção de Príncipe Caspian reside na balança sempre desregulada que o filme se transformou. O roteiro demasiado esticado e sofrível de trepidações que consegue provar o aperfeiçoamento dos personagens centrais (um contraste curioso) é acompanhado por uma técnica igualmente vacilante. Os efeitos visuais convencem e funcionam com primor quando o assunto é construir (ou destruir) cenários colossais, mas não emplacam quando se é cobrada a graça e suntuosidade que alguns animais da Industrial Light & Magic tinham. Tampouco em grandes realizações da animação digital. As seqüências de batalha (regidas por tomadas curtas demais) satisfazem e são bem ensaiadas e panorâmicas, mas estão muito longe de reprisar os queixos-caídos que “O Senhor dos Anéis” proporcionou – dispensando comparações, afinal, os próprios produtores chegaram a citar a Trilogia do Anel e prometeram exatamente o mesmo efeito. De fato, os golpes de espada e armas brancas estão definitivamente mais realísticos e a coreografia faz bonito, auxiliada por uma escolha de ângulos e enquadramentos singulares poucas vezes vistos. Fora a melhoria exemplar da fotografia, que perdeu a estética artificial e ganhou um padrão mais brutal sem deixar de lado a diversidade de cores que vimos no início da série.

É lógico que um filme como Crônicas de Nárnia preza a técnica. É o que muitas vezes faz do trabalho cinematográfico um grande sucesso. Apesar das poucas inovações, da edição de som menos qualitativa e da trilha sonora belíssima, porém menos apreciativa, Príncipe Caspian apresenta bons resultados. A maquiagem alcança níveis de êxito extremistas, o figurino está mais impecável e detalhado do que antes e a direção de arte supera expectativas. Não seria surpresa se estes critérios não fossem levados tão em consideração pelo público quanto os efeitos visuais. Mas, ao menos, os fãs podem se dar por satisfeitos pelo ótimo trabalho na roteirização da obra de C.S. Lewis e pelo bom desempenho do mesmo ao cuidar tão carinhosamente de seus personagens. Isto posiciona a produção num degrau bem superior a outras realizações da sétima arte. Talvez o grande mal que assombra a terra de Nárnia esteja além dos poderes de Aslam; uma adversidade que mora num lugar além dos campos que um guarda-roupa ou a mais nobre das trombetas possa levar. Está num castelo grande e branco, com um rato um pouco diferente de Ripchip como anfitrião.

The Chronicles of Narnia – Prince Caspian (EUA, 2008). Fantasia. Aventura. Walt Disney Pictures
Direção: Andrew Adamson
Elenco: Liam Neeson, Ben Barnes, Georgie Henley, Skandar Keynes, William Moseley, Anna Popplewell, Peter Dinklage, Warwick Davis